Como foi João Rosate na F4 nas Olimpíadas do automobilismo


por Felipe Giacomelli

João Rosate foi um dos destaques da F4 nos Motorsport Games (as olimpíadas do automobilismo) – fotos do post: dirk bogaerts photography/sro/divulgação

Quando comecei a pesquisar, na semana passada, para escrever este post sobre os Motorsport Games, as Olimpíadas do Automobilismo, minha ideia era falar que a falta de representantes do país na competição era mais um sinal de que o Brasil tinha virado coadjuvante no esporte a motor mundial.

Mas aí João Rosate foi chamado de última hora para participar da corrida de F4 e acabou com meu texto.

Antes de continuar, vale aqui um parêntese, os Motorsport Games foram um torneio realizado ao longo do fim de semana no circuito de Vallelunga, próximo a Roma. Promovida pela SRO (a mesma organizadora da Blancpain GT Series), a competição era uma disputa entre países em seis modalidades: F4, TCR, GT3, kart (slalom), games e drift. O país vencedor em cada uma delas levava a medalha de ouro, o segundo colocado ficava com a de prata e o terceiro, com a de bronze.

Para se inscrever, os pilotos precisavam ser indicados pelas suas federações locais (no caso do Brasil, a CBA), e não era preciso ter representantes em todas as seis categorias.

Até o começo da semana, o Brasil nem ia participar do torneio, mas Rosate acabou convidado para integrar o grid da F4 contra outros 19 competidores, divididos desde nações tradicionais no esporte a motor, como Itália e Alemanha, a lugares com menos fama nas corridas, como Kuwait e Israel.

Rosate, de 19 anos de idade, estava longe de ser um dos favoritos. Além de ter sido chamado às pressas para ser a delegação brasileira, ele tem pouca experiência em monopostos. Nas últimas temporadas, tem participado de competições de carros de turismo. Ele é o atual líder da Sprint Race e, em 2017 e 2018, correu na Stock Light, onde aparecia com alguma frequência nas primeiras colocações.

Para piorar, na F4 ele ia enfrentar alguns dos principais nomes da modalidade nos últimos anos. Pavel Bulantsev, por exemplo, é o atual campeão da F4 da Rússia. Luis Leeds teve o mesmo desempenho na Austrália. Reshad de Gerus foi o vice na F4 Francesa. Malthe Jakobsen venceu a F4 Dinamarquesa em 2019, enquanto Kazuto Kotaka triunfou na F4 Japonesa em 2018.

Isso sem falar em Ido Cohen (Israel), William Alatalo (Finlândia) e Niklas Krutten (Alemanha), que há alguns anos têm disputado tanto a F4 Alemã quanto na F4 Italiana, então já conheciam bem a pista de Vallelunga.

Ou seja, a expectativa era que Rosate, pela falta de experiência, brigasse na parte de baixo da tabela.

Mas não foi nada disso o que aconteceu. Desde os primeiros treinos, o brasileiro se colocou entre os primeiros colocados. Foi o décimo no primeiro treino livre e avançou para sétimo no segundo.

As corridas da F4 nas Olimpíadas do Automobilismo

Na classificação foi ainda melhor. Registrou o sexto melhor tempo e avançou uma posição depois que o carro da Rússia acabou punido.

Só que aí veio a corrida de classificação… o brasileiro deixou o carro morrer antes da volta de apresentação e, pelas regras, era obrigado a largar no fim do grid. Só que como Rosate fez o equipamento funcionar sem precisar de ajuda dos mecânicos, se posicionou novamente em quinto para a largada, o que acarretou em uma punição, uma vez que precisava mesmo sair em último.

Além da punição, o brasileiro se envolveu em um acidente com o carro do Japão e terminou somente em 17º. Dessa maneira, ele foi para a corrida decisiva, a que distribuía medalhas, partindo da penúltima fila.

Foi aí que Rosate brilhou. Em um asfalto com partes secas e partes molhadas, ele foi ultrapassando os adversários um a um até chegar à sexta colocação. Só que, pelo ritmo forte imprimido nessa prova de recuperação, seus pneus se desgastaram, e o representante brasileiro caiu na classificação. Ainda assim, cruzou a linha de chegada em nono.

Para alguém que não tinha experiência em carros de F4, o desempenho de Rosate foi muito bom no fim de semana. Mostrou rápida adaptação ao equipamento e que ultrapassar não era problema para ele. E erros, como deixar o carro morrer e desgastar os pneus, fazem parte do aprendizado.

Tomara que, no caso dele, a participação positiva nos Motorsport Games sirva para abrir portas e fazer carreira também no automobilismo internacional, seja na própria F4 ou em outras categorias.

No fim, a medalha de ouro ficou com Andrea Rosso, da Itália, que corria em casa. Rosso é considerado um dos nomes mais promissores do seu país, mas teve um 2019 muito ruim (terminou a F4 Italiana na 25ª posição), em parte porque a equipe Antonelli, para a qual corria, não está entre as melhores.

Como nas Olimpíadas do Automobilismo todos os pilotos usaram o mesmo equipamento na F4 – o da escuderia KCMG -, o italiano aproveitou o próprio talento e também o fato de já conhecer o circuito de Vallelunga para dominar o fim de semana.

A medalha de prata ficou com a Alemanha e a de bronze, com a Finlândia.

Fonte: https://womotor.wordpress.com/2019/11/03/joao-rosate-f4-olimpiadas-automobilismo-motorsport-games-2019/